Diagnóstico e Estruturação

Franchising

Por Rodrigo Ramiro · formatação e expansão de redes de franquia· Publicado em · Atualizado em · Política editorial

O que é franchising?

Franchising é o sistema de expansão em que uma empresa cresce replicando um negócio já testado por meio de terceiros, os franqueados, que abrem e operam unidades sob a mesma marca e o mesmo padrão. Franchising é a palavra em inglês para esse modelo, tratado no Brasil como sistema de franquia empresarial. Em vez de abrir tudo por conta própria, a franqueadora expande com o capital e o trabalho dos franqueados.

Fundamento: Lei nº 13.966/2019, art. 1º

Franchising é o nome do sistema pelo qual um negócio se expande formando uma rede de franquias. A palavra vem do inglês e, no dia a dia, é usada quase como sinônimo de franquia. A diferença de uso é sutil. Franchising costuma nomear o modelo e o setor como um todo, o mundo das franquias, enquanto franquia nomeia tanto o sistema quanto cada unidade aberta com ele. No Brasil, a lei chama esse sistema de sistema de franquia empresarial.

A Lei 13.966/2019, no art. 1º, descreve esse sistema como aquele "pelo qual um franqueador autoriza por meio de contrato um franqueado a usar marcas e outros objetos de propriedade intelectual", associados ao direito de produzir ou distribuir produtos e serviços e ao uso do método do franqueador, "mediante remuneração direta ou indireta". Na prática, o franchising funciona de um jeito simples. A franqueadora formata o próprio negócio, transforma o que faz em marca, método e treinamento e passa a licenciar esse pacote a franqueados, que investem e abrem as unidades. Cada franqueado paga pela entrada e pelos royalties, o que faz a rede crescer com o capital de muitos donos, em vez de depender só do caixa da franqueadora.

Visto de cima, o franchising é uma entre várias formas de expandir um negócio. A empresa poderia crescer abrindo filiais próprias, com capital e controle totais, ou licenciando a marca de forma mais solta, ou montando uma rede de distribuidores. O franchising fica num meio-termo, porque divide o investimento e a operação com os franqueados, mas mantém um padrão forte e regras claras, definidos em contrato. Esse equilíbrio entre crescer rápido e manter o controle da marca explica por que tantas redes escolhem o franchising.

No Brasil, o franchising é um setor organizado, representado pela ABF e regido por uma lei própria, a Lei 13.966/2019. Ainda assim, franchising não é um atalho garantido para o sucesso. Uma rede só cresce de forma saudável quando o negócio de base é lucrativo e replicável, quando a franqueadora dá suporte de verdade e quando os franqueados têm o perfil certo. Quando falta uma dessas peças, o modelo expõe o problema mais rápido, porque o erro se multiplica em várias unidades ao mesmo tempo.

Franchising e outras formas de expandir

ModeloQuem investe na unidadeControle da marcaVelocidade de expansão
Filial própriaA própria empresaTotalLimitada ao capital próprio
FranchisingO franqueadoAlto, por contrato e padrãoAlta, com capital de terceiros
LicenciamentoO licenciadoMenor, mais soltoVariável, com menos controle

Por que importa

Entender o que é franchising ajuda a colocar a decisão de expandir no lugar certo. Para o empresário que pensa em crescer, franchising é um dos caminhos possíveis, nem sempre o melhor para o seu caso. Ele funciona bem quando o negócio já provou que dá certo e pode ser repetido por outra pessoa, com margem que comporte os royalties. Para quem quer investir, entender o franchising ajuda a enxergar a franquia como o que ela é, um negócio próprio dentro de um sistema maior, com apoio e com regras. Nos dois lados, o erro comum é tratar o franchising como uma fórmula mágica, quando ele é, na verdade, um modelo que amplifica o que já existe, para o bem e para o mal.

Erro comum

O erro mais comum de quem entra no franchising pelo lado da franqueadora é começar antes da hora. Franquear um negócio que ainda não é lucrativo e estável não resolve o problema, apenas o espalha, porque cada franqueado recebe um modelo que nem o dono conseguiu fazer funcionar direito. O franchising multiplica o que a rede já é, então uma base fraca vira uma rede fraca.

O segundo erro é enxergar o franchising como renda passiva ou como uma forma rápida de fazer caixa. Para o franqueado, a unidade continua exigindo gestão diária. Para a franqueadora, a taxa de franquia não é lucro solto, porque precisa sustentar o suporte, o treinamento e a estrutura que a rede consome. Quem ignora isso monta uma operação que não se paga.

O terceiro erro é confundir o franchising com apenas emprestar a marca. Uma rede de franquias envolve muito mais do que um logotipo. Ela precisa de método, padrão, fornecedores, território, suporte e um contrato que rege tudo isso. Uma marca conhecida ajuda a atrair candidatos, mas não sustenta a rede sozinha. O problema aparece quando as primeiras unidades precisam operar sem a estrutura por trás.

Exemplo

Exemplo ilustrativo. Um dono de uma pequena rede de três padarias muito lucrativas decide expandir. Ele compara os caminhos. Abrir novas unidades próprias exigiria muito capital e o tempo dele; vender a marca de forma solta traria dinheiro rápido, mas sem controle da qualidade. Ele escolhe o franchising, porque quer crescer usando o capital de franqueados, mantendo o padrão que fez as três padarias darem certo. A escolha só funciona porque ele primeiro organizou a operação em manuais e treinamento, para que um franqueado conseguisse repetir o resultado. No fim, o franchising deu a ele a forma de crescer, mas a expansão só deu certo por causa da base sólida das três padarias, já organizada para ser repetida.

Onde aparece na prática

  • 1. Na decisão de expandir (etapa E1 do método), quando o empresário compara o franchising com abrir filiais próprias, licenciar ou montar outros canais.
  • 2. Na estruturação da rede, quando o negócio validado é transformado em marca, método e contrato para poder ser franqueado.
  • 3. Na análise por quem quer investir, para entender como o sistema funciona antes de escolher uma franquia.
  • 4. Na leitura do mercado, quando se acompanha o setor de franchising no Brasil, representado pela ABF, para comparar segmentos e oportunidades.

Aplique isso na sua rede

O glossário explica o conceito. O Método Grou mostra o passo a passo para estruturar a sua franquia com esse cuidado.

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Perguntas frequentes

Qual a diferença entre franchising e franquia?

No uso comum, são quase a mesma coisa. A diferença fina está no escopo. Franchising costuma se referir ao sistema e ao setor como um todo, enquanto franquia se refere ao modelo e também a cada unidade da rede. Franchising é a forma em inglês; a lei brasileira chama o sistema de sistema de franquia empresarial.

Como funciona o franchising?

A franqueadora formata um negócio que deu certo e o transforma em marca, método e treinamento. Depois licencia esse pacote a franqueados, que investem, abrem e operam as unidades sob o padrão da rede. O franqueado paga a taxa de franquia na entrada e royalties ao longo do contrato, enquanto a franqueadora dá suporte contínuo. Tudo é regido por um contrato, precedido pela COF que a lei exige.

Quais são as vantagens e desvantagens do franchising?

Do lado de quem expande, o franchising permite crescer mais rápido usando o capital dos franqueados, mantendo o padrão da marca; em troca, a franqueadora divide o controle e assume a responsabilidade de dar suporte a uma rede. Do lado de quem investe, a franquia reduz parte do risco de começar do zero, mas cobra taxas e limita a autonomia. Não existe modelo sem contrapartida.

O franchising é regulado por lei no Brasil?

Sim. A Lei nº 13.966/2019 disciplina o sistema de franquia empresarial no Brasil, que é o nome legal do franchising. Ela define o sistema (art. 1º), obriga a franqueadora a entregar a COF ao candidato antes da venda (art. 2º) e trata do contrato. Está em vigor desde março de 2020 e substituiu a Lei 8.955/1994.

Qualquer negócio pode virar franchising?

Na teoria, muitos negócios podem, mas nem todos deveriam. O franchising funciona quando a operação é lucrativa, estável e possível de repetir por outra pessoa seguindo um método. Negócios que dependem muito do talento do dono, ou que ainda não fecham a própria conta, costumam não estar prontos. A análise de franqueabilidade serve justamente para responder isso antes de investir na expansão.

O que é a ABF?

A ABF é a Associação Brasileira de Franchising, a entidade que representa o setor de franquias no Brasil. Ela reúne franqueadoras, franqueados e fornecedores, promove eventos e feiras, publica estudos do setor e ajuda a organizar boas práticas. Não é um órgão do governo nem substitui a lei; é uma associação do próprio mercado.

Fontes

Conteúdo informativo, elaborado a partir do texto legal vigente e da prática de formatação de redes. Não constitui parecer jurídico nem recomendação de investimento. Decisões sobre contrato, tributação e viabilidade devem ser validadas com profissional habilitado.

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Atualizado em 28/08/2026